quinta-feira, 30 de julho de 2020

Já arrumei a trouxa, não me venham falar de amor
Trago ao peito cicatrizes feias mas já não trago rancor
Podemos passar a noite juntos e falar sobre o universo
Sem isso significar que do meu amor estejas mais perto

Não quero sentir borboletas nem sonhar acordada
Não quero sentir falta, saudade, não quero nada
Nem os passeios ao fim da tarde, nem acordar em conchinha
Não quero o alto, bom e franco porque sei a mal que se avizinha

Sei que já amei e que um dia repito a dose
Talvez não por agora, enquanto digiro o que trouxe
Entretanto vou me amando, a esta estranha na minha vida
Aos meus amigos, à caminhada, à chegada e à partida.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

[Tenta ler isto devagar]
Boa noite nesta atuação irei pedir ao publico, que faça em meu redor um circulo único
Poderão então observar de todos os ângulos, como me anulo de novo para gerir os ânimos
Não é bonito admito mas convenhamos, é útil quando aplicado à sociedade que temos
Com os dramas que surgem nem dá tempo, para entender a morte e apreciar o momento
Ultimamente ando a ver se adormeço cedo, na esperança de manter o monstro em sossego
Embora não parta, eu sei que vergo, há quem lhe chame precaução eu chamo medo.




segunda-feira, 29 de junho de 2020

O que resta de reciproco é um grande nada
com intenção de restituir a casa arrumada
Com a necessidade de associar tudo a evolução continua
espera só até sentires aquele arrepio na espinha

A efêmera descoberta duma nova perspectiva
com sorte dura-te prai 1/5 da vida
depois voltamos ao vazio de berço e autoconhecimento
valha-me o desapego emocional e o impeto do momento

benditos cadernos pretos ou teria escrito nos braços
palavras de antigos textos sobre casas e pedaços
que deixei no jardim ao sol a ver se crescem significados
como me pertencem talvez também estejam cansados

Já nem sinto falta, só falta de sono
Murmurem-me ao ouvido por vezes até respondo

sábado, 27 de junho de 2020

Como cigarro puxado dum travo aquecido
Tempo a mais é perdido na plenitude de espirito
Vivo e corrijo o que na verdade nunca foi dito
Talvez seja boa altura explicar-te o que não preciso

Pouso ao ouvido palavras que não são para se ouvir
Fico nervosa nos intervalos sem saber reagir
Perco-me na fala, os silêncios levam sempre a melhor
Se não foi ainda, é quando for

Sabes a álcool e fumo, abres-me o apetite
Tens algo que eu quero, mesmo que não precise
Tenho insônias e tempo a mais pra pensar nisso 
Estas olheiras sabem o quão eu não quero isso

Terramotos, fraturas, falhas, placas litosféricas
Tensões acumuladas nas regiões periféricas
Metaforicamente o vulcão seria dum ponto quente
O que expele no que escrevo vem bem cá de dentro

Ou se calhar não, não sei, preciso duma consulta, 
O coração está de luto, a cabeça está de luta





domingo, 24 de maio de 2020

Por vezes penso nas minhocas.

Como rastejam subsolo, constroem canais e comem restos. 
Como são hermafroditas e nascem de ovos.
E penso o quão importantes são para alguns ecossistemas, mas mesmo assim reviravam-me o estomago quando as vejo ser comidas por formigas

Também penso nos Amores-perfeitos, nas 3 plantas que já matei

Na hibridação, no conceito de espécie, na domesticação.
E quais deverão ser os limites da coevolução.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Faz-te falta o cheiro da terra?
Ou o jeito do vento nas copas?
O sol alto a bater nas costas
A cabeça quente e as amoras

A saudação da maresia
A pele seca e salgada
As noites curtas, os dias logos
O conforto da madrugada

Sentes falta das dunas?
Das paixões de verão?
Da rebelia de corpos e beijos
Do suspense, da tensão?

Sinto falta da minha terra
De tudo isto, um pouco mais
Do contador de historias,
Da poçinha e do meu cais.



sexta-feira, 8 de maio de 2020

Gosto de laranjas e comer massa crua
Gosto da luz das estrelas e de nadar nua
Gosto de alguns silêncios, algum barulho
Gosto do sol, da claridade e do escuro

Gosto do bagaço e de vinho tinto
Gosto da liberdade de dizer o que sinto
Gosto da natureza, das plantas e bichos
Gosto de poder estudar micro-organismos



 Tell me how you love me  I’ll tell you how to fix it  My mind is not available  My heart is a mystic I hope you find love somewhere Where l...